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Vol. 39. Issue S1.
Pages 62-63 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
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Adenocarcinoma de fístula anorretal: rara forma de disseminação de tumores colorretais
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S.D.d. Morais Junior, R.M.d. Almeida, B.M. Mikhael, S.I.A. Németh, B.A.A. Martins, O.d.M. Filho, P.H.A.d. Morais, J.B.d. Sousa
Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil
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Área: Doenças malignas e pré‐malignas dos cólons, reto e ânus

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): O câncer colorretal pode ter disseminação pode ser linfática, hematogênica, transperitoneal ou por contiguidade. Existem relatos que indicam que células cancerosas colorretais são facilmente esfoliadas e podem se implantar em locais onde há lesão de mucosa, como as linhas de grampos e feridas hemorroidárias resultando em recidiva tumoral. Através desse mesmo mecanismo torna‐se possível a semeadura de adenocarcinoma colorretal em fístula anal, condição esta que permanece extremamente rara com menos de 30 casos descritos. O objetivo deste trabalho é relatar uma forma de disseminação incomum deste tipo de neoplasia, além de fazer uma revisão na literatura sobre o assunto.

Descrição do caso: J.S.A., masculino, 52 anos, com diagnóstico de fístula anorretal há 10 anos, iniciou quadro de diarreia que persistiu por mais de 4 meses. Na colonoscopia houve diagnóstico adenocarcinoma de reto proximal. Foi submetido a retossigmoidectomia com anastomose primária e reabordado por deiscência no 6 dia pós operatório com confecção de colostomia a Hartmann. Houve aumento da secreção e do orifício fistuloso no seguimento oncológico. Realizado então passagem de seton frouxo e biópsia excisional de orifício externo, revelando adenocarcinoma. Estudo imuno‐histoquímico confirmou a mesma origem tumoral.

Discussão e Conclusão(ões): Metástase por implantação de um câncer colorretal para uma fístula anal é rara. Para a confirmação, além de exame histológico, é feita a imuno‐histoquímica, utilizando‐se os marcadores citoqueratina 7 (CK7) e citoqueratina 20 (CK20). Os tumores de reto são fortemente reativos para o CK20 enquanto os de glândulas anais para o CK7, portanto, se ambos os tumores forem CK20 positivos, é altamente sugestivo que houve metástase do tumor de reto para a fístula. Outra possibilidade seria o desenvolvimento de câncer primário em fístula anal decorrente de inflamação crônica, ocorrendo em 0,1% de todas as fístulas anais. Os pacientes de risco para metástase por implantação são aqueles que já apresentavam uma lesão na mucosa anal concomitantemente ao aparecimento do tumor, como no caso do paciente descrito. A inflamação tecidual favorece o crescimento de células cancerosas. Assim, deve‐se dar uma maior atenção aos pacientes que apresentam câncer colorretal e desenvolvem fístula anal, ou pacientes que fizeram algum procedimento para corrigir patologias anorretais. Fístula suspeitamente neoplásica apresenta um aumento de secreção, secreção sanguinolenta, formação de nódulos, cicatrização lenta ou endurecimento da cicatriz. Na presença dessas características deve‐se analisar a histologia da lesão e examinar o cólon para descartar metástase por implantação. O tratamento ainda é bastante discutido. A operação de Miles é considerada a melhor opção. Alguns autores relataram sucesso com a associação com ressecção local com ou sem radioterapia e quimioterapia. Embora raro, o câncer de fístula anorretal pode ocorrer, logo todos os espécimes cirúrgicos devem ser avaliados por exame histopatológico.

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Journal of Coloproctology

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