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Vol. 39. Issue S1.
Pages 99-100 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
Pages 99-100 (November 2019)
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Donovanose perianal ‐ relato de caso
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J.P.M.E. Silvaa, A.C.M. Fernandesa, J.M. Fernandesb, F.P. Brochadoc, A.M.E. Silvad
a Universidade de Santo Amaro (UNISA), São Paulo, SP, Brasil
b Faculdade das Américas (FAM), São Paulo, SP, Brasil
c Hospital Santa Marcelina, São Paulo, SP, Brasil
d Hospital Leforte, São Paulo, SP, Brasil
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Área: Doenças Anorretais Benignas

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Mostrar a importância da suspeita clínica de Donovanose nas lesões ulceradas peri‐anal, principalmente em pacientes cuja biópsia mostram ausência de malignidade.

Descrição do caso: Paciente T.V.P. de 17anos, estudante, morena, sexo feminino, natural e procedente de São Paulo – SP, sem antecedentes de doenças pré‐existentes, compareceu para consulta de rotina por apresentar lesão ulcerada perianal tendo sido já previamente submetida a tratamento clínico em outro serviço onde realizou biópsia da lesão com resultado de processo inflamatório crônico inespecífico com ausência de malignidade. Informa que os sintomas tiveram início há 6meses com o aparecimento de um caroço perianal acompanhado de inflamação e sangramento local que persistiram. Referiu ter vida sexual ativa há dois anos com mais de um parceiro. Ao exame proctológico: apresentava duas lesões ulceradas em região da prega anal anterior e posterior, com bordas elevadas, fundo sujo e sangrante ao toque e gânglios infartados na região inguinal direita. Exames laboratoriais normais, incluindo HIV e Sífilis. Por suspeita de DST, foi solicitada nova biópsia da lesão e encaminhada para exame anatomopatológico cujo resultado diagnóstico foi Donovanose Perianal. Pelo fato das lesões serem muito extensas, optou‐se pelo tratamento cirúrgico inicial com remoção das lesões ulceradas, seguido de cauterização e tratamento clínico com Doxiciclina 100mg de 6 em 6horas, durante 45dias, com resultando de remissão total das lesões após término da antibioticoterapia. Orientado para continuar em acompanhamento ambulatorial.

Discussão e Conclusão(ões): A Donovanose foi descrita pela primeira vez em 1882 na cidade de Madra na Índia. No ano de 1905, um médico Irlandês chamado Charles Donovan relatou a presença de microrganismos intracelulares em amostra de úlceras, sendo que a doença recebeu esse nome em sua homenagem. Incubação de 3dias a 6meses, apresentando uma média de 7 a 30 dias do período de exposição até o surgimento das lesões. Inicia com lesão nodular localizada no subcutâneo, evolui para ulceração com fundo granulomatoso de aspecto vermelho intenso, com borda plana ou hipertrófica e bem delimitada, pode tornar‐se vegetante ou úlcero‐vegetante e ser uma lesão isolada ou múltipla. O diagnóstico é laboratorial ou anatomopatológico, observação da presença de corpúsculos de Donovan em esfregaço de amostras de lesões suspeitas ou cortes tissulares corados com Giemsa ou Wright. O tratamento é feito com antibióticos tendo como opção terapêutica a tetraciclina (500mg por via oral, 4vezes ao dia) ou doxiciclina (100mg por via oral, quatro vezes ao dia) ou eritromicina base (500mg, por via oral, 4vezes ao dia), até que haja a regressão completa das lesões. Concluimos que em casos de Lesões Ulceradas perianais com patologia negativa para doença malígna, devemos sempre pensar em Donovanose como diagnóstico diferencial, que embora seja uma doença rara de encontrar, ela ainda existe em algumas regiões do Brasil.

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Journal of Coloproctology

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