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Vol. 39. Issue S1.
Pages 172-173 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
Pages 172-173 (November 2019)
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Fatores de risco para complicações após cirurgia abdominal para doença de crohn
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C.M.S. Kimura, C.W. Sobrado, M. Borba, N.S. Queiroz, A. Scanavini, S.C. Nahas, I. Cecconello
Hospital das Clínicas (HC), Faculdade de Medicina (FM), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil
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Área Doenças Inflamatórias Intestinais

Categoria Estudo clínico não randomizado

Forma de Apresentação Tema Livre (apresentação oral)

Objetivo(s) O objetivo do estudo foi avaliar os fatores de risco para complicações cirúrgicas após cirurgia abdominal para doença de Crohn, especialmente o impacto da imunossupressão.

Método Análise retrospectiva a partir de uma coorte de pacientes submetidos à cirurgia abdominal para a doença de Crohn de 2012‐2018. Dados pré‐operatórios referentes à idade do paciente, classificação de Montreal da doença de Crohn, medicações em uso, comorbidades, atividade da doença (avaliada pelos sintomas e proteína C‐reativa), estado nutricional (avaliado pela albumina sérica, hemoglobina e necessidade de otimização nutricional pré‐operatória) e tipo de cirurgia foram obtidos a partir de prontuários médicos. Para complicações pós‐operatórias, foram incluídas aquelas que ocorreram nos primeiros 30 dias de pós‐operatório.

Resultados 104 cirurgias abdominais para a doença de Crohn foram realizadas durante o período em 92 pacientes ‐ 45% mulheres, 12,5% laparoscópicas, 71,3% eletivas e 78,8% com anastomose. A média de idade foi de 40,6 anos e 40,4% das cirurgias foram a primeira cirurgia abdominal do paciente. A taxa de complicações cirúrgicas foi de 25%, sendo metade relacionada à ferida abdominal e a outra metade, deiscência da anastomose ou infecção do sítio cirúrgico. Em relação à imunossupressão, 34,5% dos pacientes estavam recebendo infliximabe (22%) ou adalimumabe (12,5%), 5,7% estavam recebendo imunossupressores+corticosteroides, 12% imunossupressores+imunomoduladores (azatioprina ou metotrexato) e 8, 6%, imunossupressor+corticosteroide+imunomodulador. Os pacientes estavam sob imunossupressão por uma média de 100 semanas (mínimo 5, máximo 288 semanas; média de 117 semanas no grupo adalimumabe e 88 semanas no grupo infliximabe). Em análise univariada, a imunossupressão, tanto com infliximabe quanto com adalimumabe, combinada ou não com corticosteroide e/ou imunomodulador, não se associou significativamente às complicações cirúrgicas, com o risco relativo (RR) dessas terapias variando de 0 a 1,2 (p>0,05). Albumina sérica<3,5g/dL, proteína C reativa>30 e hemoglobina<10g/dL foram associadas com risco aumentado de complicações pós‐operatórias, com RR de 1,4, 1,8 e 1,8, respectivamente, mas com sem relevância estatística (p>0,05). O uso de corticosteroides, a classificação de Montreal e o tipo de cirurgia (urgente versus eletiva e primeira versus segunda cirurgia ou mais) também não foram associados ao aumento do risco de complicações. O único fator significativamente associado ao aumento do risco de complicações cirúrgicas no pós‐operatório foi o tempo de doença>10 anos (RR=2,26, p=0,018).

Conclusão(ões) A imunossupressão com infliximabe ou adalimumabe não foi associada a risco aumentado de complicações após cirurgia abdominal para doença de Crohn, isoladamente ou combinada com corticosteroides ou imunomoduladores. O único fator de risco estatisticamente significativo para complicações cirúrgicas foi o tempo de doença>10 anos, talvez sugerindo que a cirurgia não deve ser atrasada em pacientes com doença de Crohn.

Idiomas
Journal of Coloproctology

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