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Vol. 39. Issue S1.
Pages 96 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
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Fístula anal causada por micobacteriose
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H.S. Fillmann, M. Hoefel, M.E.T. Rezer, L.S. Fillmann, L. Alberton, L.B. Micheletto, L. Fillmann
Hospital São Lucas (HSL), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS, Brasil
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Área: Doenças Infecciosas

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): A tuberculose (TB) permanece sendo uma questão importante de saúde pública a ser resolvida. Em 2018, foram notificados 5085novos casos de TB no Rio Grande do Sul, com um total de 7073casos. A TB intestinal representa cerca de 2% de todos os casos. Os sintomas intestinais podem cursar com diarreia, constipação, sangramento e até mesmo fístula, na minoria dos casos. Sendo assim, por ser um desafio diagnóstico e terapêutico, é essencial que os doentes sejam identificados e tratados para evitar complicações.

Descrição do caso: Apresentaremos um raro caso de um paciente que apresentou TB perianal. Paciente masculino encaminhado para emergência de hospital de referência por drenagem de secreção purulenta perianal associada à dor local há um mês. Ao exame físico, constatou‐se a presença de um orifício fistuloso anal à esquerda e uma segunda lesão ulcerada na linha média posterior. Pela apresentação atípica das lesões, foram solicitados exames complementares. Não foram visualizadas alterações na mucosa intestinal pela colonoscopia. Durante esse exame, se biopsiou a lesão ulcerada e foi pesquisado BAAR. O resultado foi negativo. Os exames laboratoriais, inclusive sorologias para HIV não mostraram alterações. A ressonância magnética de pelve evidenciou fístula anal em ferradura. Paciente então foi encaminhado a tratamento cirúrgico da fístula com colocação de sedenho cortante e nova biópsia da lesão. Teve alta hospitalar com plano de segunda fase cirúrgica em um mês. Durante a nova internação, os exames prévios foram revisados e a biópsia cirúrgica apresentou pesquisa de BAAR positiva, densidade fraca, compatível com micobacteriose. A Segunda etapa da cirurgia ocorreu normalmente completando a fistulotomia anal. Conforme orientação do Serviço de Infectologia, o paciente passou a usar RHZE (Rifampicina – Isoniazida – Pirazinamida – Etambutol). Paciente teve boa evolução pós operatória e manteve a complementação medicamentosa posteriormente.

Discussão e Conclusão(ões): Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério de Saúde, a tuberculose é a infecção que mais causa morte no mundo, superando as mortes causadas pelo HIV. A partir do diagnóstico, o devido tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível para evitar complicações. Os medicamentos de primeira linha terapêutica incluem a isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol, sendo que as drogas devem ser administradas simultaneamente. No caso desse paciente, a partir de uma biópsia de tecido, foi diagnosticada uma infecção compatível com micobacteriose, sendo mais provável –devido aos dados epidemiológicos‐ uma micobacteriose tuberculosa. O paciente em questão foi tratado com o esquema de primeira linha para tratamento de TB e apresentou significativa melhora. Acreditamos, portanto, que pacientes com fístula anal causada por TB devem ser tratadas com esquema medicamentoso e que a cirurgia deve ser reservada a casos especialmente selecionados.

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Journal of Coloproctology

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