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Vol. 39. Issue S1.
Pages 219-220 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
Pages 219-220 (November 2019)
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Há espaço para a anoprotectomia na doença de crohn perineal na era dos biológicos?
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F.D.C. Lopes, N.A.P. Chagas, L.R. Boarini, I.C. Albuquerque
Hospital Heliópolis, São Paulo, SP, Brasil
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Área: Doenças Inflamatórias Intestinais

Categoria: Estudo clínico não randomizado

Forma de Apresentação: Tema Livre (apresentação oral)

Objetivo(s): A doença de Crohn perineal (DCP) pode estar presente em 17% a 43% dos pacientes com doença de Crohn (DC), sendo considerado fator isolado de pior prognóstico. A anoprotectomia é indicada para evitar progressão da doença perianal e trazer qualidade de vida ao paciente com DCP refratária ao tratamento clínico. Na era pré-biológicos, 24 a 39% dos pacientes com DCP eram submetidos à anoprotectomia. A utilização da terapia biológica foi um divisor de águas, melhorando a história natural da DCP. Este trabalho tem o objetivo de descrever as características clínicas de pacientes com DCP com indicação de ressecção anorretal, avaliando o curso da doença antes da indicação cirúrgica.

Método: Estudo retrospectivo e observacional de pacientes adultos com DCP de janeiro de 2008 a fevereiro de 2019. Através de revisão de prontuários foram avaliados 223 pacientes com DCP, sendo estudados os pacientes submetidos à anoprotectomia. Foram analisadas características demográficas destes pacientes, classificação de Montreal, uso de biológicos, porcentagem de pacientes com doença perineal submetidos à ressecção anorretal, idade do diagnóstico, idade da ressecção anorretal, achados dos exames proctológicos sob anastesia e indicação da ressecção anorretal.

Resultados: Dos 223 pacientes com diagnóstico de DCP, 10 (4,4%) foram submetidos à ressecção anorretal. Quatro pacientes eram do sexo feminino e seis do sexo masculino, a média de idade do diagnóstico de doença de Crohn foi de 25,8 anos e da ressecção anorretal de 40,8 anos, 67% dos pacientes apresentaram acometimento perineal como primeira manifestação da doença. Todos os pacientes apresentavam acometimento do reto pela doença de Crohn. O tabagismo, fator de pior prognóstico, foi encontrado em 25% dos pacientes. Dos pacientes do sexo feminino, três apresentavam fístula retovaginal. Três pacientes usaram adalimumade, um paciente usou infliximabe e seis pacientes foram tratados com adalimumabe e infliximabe antes da indicação cirúrgica. Durante seguimento ambulatorial prévio à indicação cirúrgica, os pacientes foram submetidos, em média, a quatro exames proctológicos sob anestesia, variando entre um e dez procedimentos por paciente. Todos os pacientes apresentaram estenose anorretal, sendo esta a principal indicação de ressecção anorretal em 70% dos casos, intratabilidade clínica foi responsável pelos 30% restantes.

Conclusão(ões): Apesar dos avanços no tratamento clínico da DCP, a protectomia ainda é utilizada no controle da doença refratária, porém sua indicação se tornou menos frequente, provavelmente pela introdução da terapia biológica. Entretanto em casos desfavoráveis, principalmente nas manifestações estenóticas da doença, ainda há espaço para a anoprotectomia.

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Journal of Coloproctology

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