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Vol. 38. Issue S1.
Pages 29 (October 2018)
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Vol. 38. Issue S1.
Pages 29 (October 2018)
P145
DOI: 10.1016/j.jcol.2018.08.063
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HÉRNIA PERINEAL ESTRANGULADA APÓS AMPUTAÇÃO ABDOMINOPERINEAL DO RETO – RELATO DE CASO
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Mariane Christina Savio, Fernanda Letícia Cavalcante Miacci, Maria Cristina Sartor, Antonio Baldin Junior, Luiz Fernando Tosi Ferreira, Norton Luiz Nobrega, Bianca Kloss
Hospital de Clínicas, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, PR, Brasil
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Introdução: As hérnias perineais são raras, sendo a maioria delas secundárias. Ocorrem em 0,6‐1% dos pacientes após amputação abdominoperineal do reto. Nosso objetivo é relatar um caso de hérnia perineal estrangulada tratada por abordagem perineal.

Descrição do caso: Paciente feminina, 74 anos, admitida na unidade de emergência com dor e abaulamento em região interglútea há 1 semana, associada a dor abdominal difusa e parada do funcionamento da colostomia. A paciente havia sido submetida a amputação abdominoperineal do reto por adenocarcinoma do reto distal com invasão da parede posterior da vagina em 1997. Na ocasião realizou quimio e radioterapia adjuvantes. Em 2007 teve recidiva local, sendo submetida a reoperação com ressecção das 2 últimas vértebras sacrais. Era portadora de hipertensão arterial sistêmica, em uso de losartana e tinha diagnóstico de bexiga neurogênica – acompanhamento com urologia e em uso de sonda vesical de demora. Ao exame físico encontrava‐se em bom estado geral, com dados vitais normais, abdome flácido, doloroso difusamente, sem sinais de peritonite. Na região perineal observava‐se abaulamento doloroso, não redutível, compatível com hérnia perineal encarcerada. Exames laboratoriais evidenciaram leucocitose e elevação da PCR. A paciente evoluiu com confusão mental, taquicardia, taquidispnéia e dessaturação em ar ambiente, sendo encaminhada ao centro cirúrgico imediatamente. Foi optada por abordagem perineal. A paciente foi posicionada em decúbito ventral (posição de canivete) e realizada incisão na região interglútea. Evidenciada alça de delgado com sinais de isquemia e necrose em segmento de aproximadamente 20cm, bem delimitado. Foi identificado anel fibroso na pelve que determinava o estrangulamento. Realizada enterectomia e anastomose manual término‐terminal. Realizada então dissecção dos folhetos e fechamento do saco herniário. Durante dissecção ocorreu lesão de aproximadamente 1,5cm da bexiga, que foi suturada em 2 planos. Foi aplicada tela de polipropileno 15x15cm e fixada às estruturas ósseas da pelve.

Discussão e conclusão: Apesar de raras, as hérnias perineais são complicações descritas da amputação abdominoperineal do reto. O cirurgião colorretal deve estar preparado para lidar com esta situação, que pode se apresentar de maneira grave. O tratamento é cirúrgico e pode ser realizado tanto pela via perineal quanto pela abdominal, devendo esta escolha ser individualizada.

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Journal of Coloproctology

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