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Vol. 39. Issue S1.
Pages 125-126 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
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Íleo biliar: relato de caso
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P.C. Moreira, L.M. da Fonseca, T.G. Vandaleti, J.J.M. Lima, M.P. Crivelaro
Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), Indaiatuba, SP, Brasil
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Área: Doenças Intestinais funcionais e Doença Diverticular dos cólons

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): A obstrução do intestino por cálculo biliar, denominada de “íleo biliar” (IB), é uma complicação incomum e potencialmente grave de colecistite crônica. Os autores apresentam um caso de obstrução intestinal por um cálculo biliar localizado no jejuno distal em uma paciente de 86 anos portadora de colelitíase tratado por laparotomia de urgência.

Descrição do caso: Paciente feminina, 86 anos, portadora de colelitíase assintomática internou na emergência do hospital com dor e distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de gases fezes há 3 dias. O hemograma apresentava importante leucocitose com desvio à esquerda. Realizou ultrassonografia abdominal total que demonstrou distensão da cavidade gástrica, contendo resíduo em seu interior; vesícula biliar não individualizada e sem dilatação dos canais biliares (colédoco medindo 0,5cm de diâmetro). A tomografia computadorizada de abdome identificou um grande cálculo parte radiopaco no interior de alça de delgado, medindo em torno de 4,5cm a 5,5cm no seu eixo axial. Optou-se por uma abordagem operatória. A paciente submetida a laparotomia mediana d urgência em que foram identificados dois cálculos em jejuno distal cerca de 50cm adiante do ângulo de Treitz, o primeiro medindo 5,5cm e o segundo 3,5cm no seu eixo axial. Os cálculos foram retirados por enterotomia. Não foi realizada a colecistectomia neste procedimento. A paciente apresentou boa evolução pós-operatória, recebendo alta hospitalar no segundo dia de pós-operatório.

Discussão e Conclusão(ões): O íleo biliar ocorre por formação de uma fístula entre a vesícula biliar e algum segmento do intestino delgado possibilitando a passagem de um ou mais cálculos que podem obstruir o trânsito intestinal especialmente em áreas de estreitamento anatômico como o ângulo de Treitz e a válvula ileocecal. O cálculo biliar migra para o intestino delgado mais comumente por uma fístula colecistoduodenal. Sua impactação pode acorrer em qualquer parte do intestino: íleo (60,5% dos casos), jejuno (16,%), estômago (14,2%), cólon (4,1%) e duodeno (3,5%). O paciente pode apresentar-se com sintomas inespecíficos ou com sinais de obstrução intestinal, tais como náuseas, vômitos, distensão e dor abdominal. Apesar de infrequente na população, responde por 25% das obstruções não estrangulatórias do intestino delgado sendo relacionada a progressão da idade. É responsável por 1% a 3% de todas as cirurgias para tratamento de obstrução intestinal. A mortalidade associada à obstrução do lúmen intestinal pelo cálculo biliar está entre 12% e 27%. A TC é o exame mais eficiente pela sua agilidade e pela resolução de imagem. O tratamento cirúrgico do é normalmente realizado em caráter de urgência. A opção pela não realização da colecistectomia deveu-se a que a paciente não referia mais sintomas relacionados à litíase biliar, além de que de certa forma esta já estava tratada por uma ampla fístula colecisto-duodenal. O cirurgião deve estar familiarizado com o íleobiliar e com seu tratamento cirúrgico.

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Journal of Coloproctology

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