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Vol. 38. Issue S1.
Pages 100 (October 2018)
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Vol. 38. Issue S1.
Pages 100 (October 2018)
P72
DOI: 10.1016/j.jcol.2018.08.215
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MELANOMA DE CANAL ANAL ‐ RELATO DE CASO
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Christiane Diva Campos Veneroso, Anna Caroline Guerro, Jorge Benjamin Fayad, Rinaldo Prates Periard, Jayna Martins Neno Rosa, Alexandre Queiroz Franco Henriques, Renata Rocha Barbi
Hospital Federal de Ipanema, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
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Introdução: O melanoma é o câncer de pele mais comum, correspondendo por pelo menos 50% de todas as neoplasias malignas. Pela sua origem embrionária na crista neural, os melanócitos migram para outros sítios além da pele. Entre os melanomas de origem mucosa, os locais mais comuns são cabeça, pescoço, canal anal, reto e a genitália feminina. O melanoma anorretal primário é raro, representando 1‐4% de todos os tumores anais e 0,6‐1% dos casos de melanoma. comparando com os melanomas originados na pele, os de mucosa são mais avançados e tem um prognóstico uniformemente ruim.

Descrição do caso: M.D.S., 79 anos, sexo feminino, há 8 meses apresentando dor anal intensa, principalmente durante as evacuações, com hematoquezia caracterizada como sangue vivo no vaso sanitário e no papel higiênico. Junto aos sintomas observou surgimento de lesão enegrecida em margem anal de crescimento rápido. Realizou biópsia da lesão, compatível com melanoma de canal anal, confirmado com imunohistoquimica. Após biópsia deu entrada no hospital para controle de dor e exames de estadiamento. Realizou colonoscopia que observou que a lesão se estendia no canal anal até sete centímetros da borda anal. Foi submetida a tomografia de crânio, tórax, abdome e pelve, nas quais evidenciou‐se múltiplos implantes secundários em ambos os pulmões e uma massa em adrenal direita, também sugestiva de metástase. Durante internação hospitalar, a paciente evoluiu com rápida deterioração clínica, com vômitos incoercíveis e dispneia. Devido às condições clínicas, optou‐se por conduta terapêutica paliativa, sem abordagem cirurgica.

Discussão: O melanoma anorretal foi descrito pela primeira vez em 1857,e desde então foram relatados pouco mais de 600 casos em todo o mundo, o que corrobora sua baixa incidência. Os pacientes geralmente tem o diagnóstico realizado tardiamente,quando já apresentam metástases. Isso se deve às apresentações atípicas da doença, sendo confundida com outras patologias como hemorróidas, úlcera retal ou adenocarcinoma. A sobrevida em 5 anos é inferior a 10%, e uma vez que o paciente tenha desenvolvido doença sistêmica, a expectativa de vida é menor que um ano.

Conclusão: O melanoma anorretal é uma neoplasia rara, agressiva e letal, que evolui metástases precoces. Pode ser confundida com várias outras condições benignas ou malignas o que atrasa o seu diagnóstico. Em pacientes idosos, apresentando sangramento ou massa retal, a hipótese deve ser sempre suspeitada.

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Journal of Coloproctology

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