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Vol. 39. Issue S1.
Pages 112-113 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
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Necrose idiopática de canal anal e ânus
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I.C. Barros, G. Urbano, S. Scarpelini, G.C. Pereira, L.F.P. Garcia, W.C. Winter, J.P. Mendes Neto, J.M.S. Botelho
Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
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Área: Doenças Anorretais Benignas

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Relatar a ocorrência de necrose isolada do canal anal e do ânus, patologia com poucos relatos na literatura, demostrando os achados clínicos através de imagens.

Descrição do caso: Paciente feminina de 47anos, admitida na unidade de emergência de um hospital terciário com relato de febre e gemência, associados a lesão anal com saída de secreção purulenta há 10dias. Restrita ao leito por sequela de acidente vascular cerebral sofrido há 6meses, pouco contactuava e apresentava sinais importantes de negligência dos familiares: má higiene; escabiose; desnutrição. Ao exame físico estava taquicárdica (120batimentos por minuto), sem outros sinais de choque. Exame proctológico: lesão necrótica da borda anal e do anoderma, dolorosa, com saída de secreção purulenta, sem áreas de hiperemia ou celulite na região perineal. Toque retal: doloroso, com crepitação anterior e posterior e secreção purulenta vinda do canal anal. Antecedentes patológicos: diabetes tipo 2, com controle irregular de níveis glicêmicos por má aderência. Acidente vascular cerebral há 6meses. Conduta tomada: antibioticoterapia com Ceftriaxona e Metronidazol e indicado exame proctológico de urgência sob anestesia no centro cirúrgico. Achado cirúrgico: tecido necrótico limitado à borda anal, anoderma e mucosa do reto distal. O restante da região perineal, o aparelho esfincteriano e a parede do reto estavam íntegros, com boa vascularização e sem sinais de extensão da necrose. Realizado desbridamento até exposição de tecidos viáveis e confeccionada colostomia de proteção. Durante o procedimento a paciente evoluiu com quadro séptico e choque, e foi encaminhada ao centro de terapia intensiva após a cirurgia. Evoluiu nos próximos dias com falência terapêutica, com piora da função renal, acidose, hipotensão refratária a altas doses de aminas vasoativas e óbito. O estudo anatomopatológico da lesão evidenciou mucosa retal com área erodida associada a granulação e inflamação mista leve. A cultura de fragmento de necrose evidenciou Citrobacter freundii, sensível a Ceftriaxona e Meropenem.

Discussão e Conclusão(ões): A ocorrência de necrose limitada ao ânus e canal anal é rara visto que a região possui excelente vascularização. Durante revisão da literatura tomamos ciência de apenas um caso similar relatado em 2016 (a hipótese diagnóstica foi de isquemia secundária a hipoperfusão, e o único fator de risco apresentado pelo paciente era doença aterosclerótica e quadro diarreico). Não é possível comprovar relação causal, porém a bactéria Citrobacter freundii tem sido encontrada em culturas de tecidos acometidos por necrose. Este é um dos agentes causais de ectima gangrenoso, uma doença rara com maior prevalência em diabéticos que está associada a lesões cutâneas que se iniciam como lesão bolhosa e evoluem rapidamente para necrose. Este caso ilustra a ocorrência de necrose isolada do ânus e do canal anal sem etiologia bem definida, mas que permite inferir que o agente infeccioso tenha sido a causa devido à evolução desfavorável.

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Journal of Coloproctology

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