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Vol. 39. Issue S1.
Pages 3-4 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
Pages 3-4 (November 2019)
260
DOI: 10.1016/j.jcol.2019.11.006
Open Access
Paniculite mesentérica: relato de caso
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G.O. Lima, S.T.D.S. Lopes, M.P. Liger, M.L. Bicalho, H.A.F. Pinto, M.M.M.M.D.E. Meyer, I.G. Silva
Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Belo Horizonte, MG, Brasil
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Área: Miscelâneas

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): A paniculite mesentérica é um processo inflamatório progressivo que envolve o tecido adiposo do mesentério. A etiologia é desconhecida, mas como fatores causais tem‐se infecção, trauma, cirurgia, isquemia mesentérica e alterações autoimunes. O objetivo é relatar um caso de dor abdominal recorrente com diagnóstico controverso de paniculite mesentérica após investigação.

Descrição do caso: Paciente, 34 anos, sexo masculino, queixando dor abdominal. Refere perda ponderal intencional. Iniciou propedêutica após consulta com gastroenterologista que sugeriu uma endoscopia digestiva alta sendo evidenciado gastrite e tratada com omeprazol. Em razão da persistência da dor foi realizado tomografia computadorizada (TC) de abdome que visualizou densificação da gordura da raiz do mesentério com aumento de linfonodos. Foi solicitado ressonância magnética abdominal para melhor estudo, no entanto não foi evidenciado alterações.

Discussão: A paniculite mesentérica é mais comum em homens. Constitui‐se em 3 estágios de evolução e pode acometer qualquer parte do mesentério, sendo que o mesentério duodenal e o jejunal correspondem de 80 a 90% dos casos. Primeiramente ocorre a lipodistrofia, onde há predomínio da necrose gordurosa do mesentério com inflamação mínima ou mesmo ausente desse tecido. Nessa fase a maioria dos pacientes estão assintomáticos. Segue então a fase da paniculite mesentérica propriamente dita em que a inflamação que antes era mínima ou ausente torna‐se crônica e inespecífica, com presença de infiltrado celular. O paciente apresenta sintomas como febre, astenia, náusea, anorexia, perda de peso e dor abdominal intermitente. Por fim, na fase de mesenterite retrátil, há predomínio da fibrose que retrai o mesentério podendo causar fenômenos compressivos levando as raras complicações, como quadros de oclusão e suboclusão intestinal, sendo responsável pela presença de massa abdominal palpável ou até mesmo compressão vascular. A investigação inicial da paniculite mesentérica deve ser realizada por meio da TC, na qual os achados dependem do estádio e do componente predominante. No estágio predominantemente inflamatório geralmente se observa massa heterogênea com linfonodomegalia envolta por um componente de gordura mesentérica de densidade aumentada em relação a gordura subcutânea e é delimitada por uma pseudocápsula, descrita como sinal do halo. Esses achados desaparecem quando a doença progride para mesenterite retrátil. A ressonância magnética tem papel importante no diagnóstico da mesenterite retrátil já que permite melhor caracterização do tecido. O prognóstico geralmente é bom. Nas formas indolentes não é necessário tratamento específico e nos casos avançados tem sido utilizado corticosteroide e imunossupressor.

Conclusão: A paniculite mesentérica é uma afecção rara, porém deve ser considerada em um quadro de abdome agudo recorrente e inespecífico. É indiscutível a importância da definição diagnóstica com os exames de imagem disponíveis.

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Journal of Coloproctology

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