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Vol. 39. Issue S1.
Pages 4-5 (November 2019)
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Paracoccidioidomicose anal mimetizando neoplasia maligna de ânus
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C.L. Alves, M.C.R. Silveira, G.N. Vilar, J.M. Miranda, M.R. Feitosa, R.S. Parra, O. Féres, J.J.R. Rocha
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto, SP, Brasil
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Área: Doenças Infecciosas

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Relatar um caso de paracoccidioidomicose anal simulando neoplasia maligna do ânus

Descrição do caso: Homem, 56 anos, trabalhador rural. Há três anos, com lesão anal ulcero‐vegetante, de crescimento lento e progressivo. Havia feito uso de diversos antibióticos, sem melhora. Referia dor local e hábito intestinal preservado. Ao exame com lesão ulcero‐vegetante e infiltrativa, que acometia ânus e corpo perineal, sem sinais de infecção secundária, com acometimento do canal anal. Realizado biópsia da lesão que diagnosticou paracoccidioidomicose. Apresentava ainda radiografia do tórax com infiltrado retículo‐nodular em base direita. Feito diagnóstico de paracoccidioidomicose crônica com acometimento pulmonar e cutaneomucoso. Iniciado tratamento com itraconazol, com resolução completa.

Discussão e Conclusão(ões): A paracoccidioidomicose é uma doença fúngica endêmica sistêmica causada pelos fungos dimórficos do gênero Paracoccidioides. A doença humana tem sido atribuída à exposição ao fungo no solo por meio do trabalho agrícola, como no caso apresentado. A forma crônica é mais prevalente entre homens com idade entre 30 e 60 anos. As lesões cutâneas ocorrem por contiguidade, disseminação hematogênica ou, excepcionalmente, por implantação traumática do fungo. As lesões se caracterizam por polimorfismo e se localizam preferencialmente no polo cefálico e áreas periorificiais. A paracoccidioidomicose anal está presente em apenas 1,3 a 2,4% dos pacientes com doença disseminada. Sua patogênese ainda não está clara e há controvérsias se ela é uma lesão secundária ou uma lesão primária. Na topografia anal, pode simular neoplasia maligna, entretanto a biópsia com visualização microscópica de elementos fúngicos sugestivos de Paracoccidioides ou a cultura do fungo a partir de espécimes clínicos pode ajudar na diferenciação. Testes sorológicos podem ser úteis para o diagnóstico e monitoramento da resposta à terapia. Para doença leve a moderada a medicação mais utilizada é o itraconazol. Nos quadros graves o sugerido é terapia inicial endovenosa com anfotericina B. O tratamento geralmente é continuado até melhora clínico‐radiológica e dura em média 9 a 18 meses. Na presença de doença anal ulcero‐vegetante, a paracoccidioidomicose deve ser lembrada como diagnóstico diferencial, especialmente em pacientes com história prévia da manipulação do solo.

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Journal of Coloproctology

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