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Vol. 39. Issue S1.
Pages 101 (November 2019)
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Pioderma gangrenoso pós‐operatório: um relato de caso
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L.C. Reis, L. Rogério, M.M.P. da Luz, R.G. da Silva
Grupo de Coloproctologia, Instituto Alfa de Gastroenterologia, Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
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Área: Miscelâneas

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Pioderma grangrenoso é uma dermatose neutrofílica rara tipicamente associada a doenças sistêmicas como Doenças Inflamatórias Intestinais, artrite reumatoide e doenças do tecido conjuntivo. É caracterizado por patergia – hiperreatividade da pele com aparecimento de lesões em sítio de traumas prévios. O presente trabalho relata um caso de pioderma grangrenoso pós‐operatório.

Descrição do caso: Paciente do sexo feminino, 69anos, história de artrite reumatoide refratária, em tratamento com Etanercepte, passado recente de diverticulite aguda não‐complicada, admitida com quadro de dor em fossa ilíaca esquerda associada a febre, pneumatúria e fecalúria. Propedêutica laboratorial e tomografia de abdome e pelve evidenciaram diverticulite aguda com fístula colovesical. A paciente foi submetida a retossigmoidectomia, com excisão parcial do mesorreto e cistectomia parcial com cistorrafia primária e colostomia terminal. Paciente evoluiu no quinto dia de pós‐operatório com episódio de evisceração e foi submetida a ressutura da parede abdominal e, no sétimo dia, com saída de secreção entérica por dreno posicionado na pelve. Posteriormente apresentou eritema ao redor da ferida operatória com lesões bolhosas, coalescentes, muito dolorosas com rápida progressão para ulcerações, com deiscência da ferida operatória e acometimento de toda a parede anterior do abdome. Iniciada antibioticoterapia de largo espectro, sem alteração do quadro. Feito diagnóstico clínico de pioderma grangrenoso, biópsia incisional e início do tratamento com corticoterapia sistêmica com melhora lenta porém progressiva do quadro.

Discussão: O pioderma gangrenoso pós operatório tem fisiopatologia multifatorial centrada no trauma cirúrgico que cursa com resposta inflamatória exacerbada, sendo mais comum em pacientes com doenças sistêmicas subjacentes ou que já manifestaram tal quadro previamente. Tem início geralmente entre o 7° e o 14° DPO, com eritema muito doloroso na ferida operatória, podendo se associar a deiscência cirúrgica e evisceração. Evolui com progressão rápida para lesões ulceradas, coalescentes, com bordas indeterminadas, sendo frequentemente confundido com infecção do sítio cirúrgico ou fasciíte necrosante. O diagnóstico é eminentemente clínico, com histopatologia e exames laboratoriais inespecíficos. O tratamento é feito inicialmente com corticoterapia sistêmica combinada com cuidados locais, a fim de minimizar a patergia. O prognóstico costuma ser bom, particularmente naqueles pacientes que manifestam resposta rápida ao tratamento.

Conclusão: O pioderma gangrenoso pós‐operatório surge no contexto do trauma cirúrgico com hiperreatividade da pele. Trata‐se de uma dermatose rara e mórbida cujo diagnóstico requer alta suspeição clínica associada a exclusão de complicações cirúrgicas e o tratamento precoce propicia um bom prognóstico.

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Journal of Coloproctology

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