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Vol. 39. Issue S1.
Pages 18-19 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
Pages 18-19 (November 2019)
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Relato de caso: pós‐operatório desfavorável como consequência de condução clínica inadequada em caso de paciente com doença de crohn
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R.V. Oliveira, C.M. Oliveira, A.R. Oliveira, B.L.G. Villalba, K.H. Tamashiro, T.D. Reis
A Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), São Paulo, SP, Brasil
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Área: Doenças Inflamatórias Intestinais

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Descrever evolução desfavorável de paciente com doença de Crohn em tratamento clínico inadequado.

Descrição do caso: A.A.P.J., 34 anos; admitido no serviço em janeiro/2019 por quadro de diarreia, dor abdominal, desnutrição, febre, náuseas e plenitude gástrica; fez tomografia que evidenciou espessamento parietal de ceco e íleo terminal, bem como fístulas entero‐cavitárias e dois abscessos em fossa ilíaca direita. Tinha diagnóstico de doença de Crohn há 1 ano e apresentava sinais de atividade de doença esporádicos, tendo inclusive colonoscopia do início de 2018 com evidência de sub‐estenose a nível de válvula ileocecal. Fez tratamento com Mesalazina 1.600mg/dia e ciclos intermitentes de corticoides e, após melhora clínica, optou‐ se por reduzir a dosagem do primeiro pela metade. Na internação, foram iniciados antibióticos, corticoterapia e suporte nutricional pré‐operatório (com suplementação oral e nutrição parenteral) e puncionada coleção. Paciente foi submetido a colectomia direita videolaparoscópica com anastomose primária, mas no 4° PO evoluiu com piora clínica importante e optou‐se por laparotomia de urgência, que constatou deiscência da linha de sutura; realizou‐se então, ressecção da anastomose prévia e confecção de uma nova, bem como de ileostomia de proteção. No 20°PO evoluiu com fístula peri‐anastomose, sendo optado, finalmente, por ileostomia terminal e fístula mucosa de cólon. Teve um pós‐operatório complicado com TEP, IRA (dialítica), paniculite extensa, deiscência de linha de sutura em parede abdominal e pancreatite grave. Manteve leucocitose persistente, provavelmente relacionada a corticoterapia/atividade de doença (presente em todo material enviado para análise anatamo‐ patológica). Entretanto, evoluiu bem com conduta clínica após a última abordagem, recebendo alta em programação de tratamento com Ustequinumabe.

Discussão e Conclusão(ões): Dada a evolução do caso e a natureza da doença, observa‐se a importância do diagnóstico e tratamento precoces, com objetivos definidos. Estudos comprovam que em casos de doença de Crohn moderada/grave a terapêutica ideal inclui os imunobiológicos e neste caso específico, devido acometimento de íleo terminal, até a colectomia direita poderia ter sido considerada. A corticoterapia é eficaz em induzir remissão em casos de “flares” da doença, mas o uso cíclico está associado a um pior prognóstico em casos cirúrgicos; o que pode estar associado, junto a desnutrição e ao controle inadequado da doença, a pior evolução do paciente. A doença de Crohn é uma doença que exige abordagem individualizada e precoce, podendo evoluir desfavoravelmente caso não haja um controle adequado, tal qual o caso em questão. A abordagem cirúrgica era inevitável, mas talvez uma melhor condução inicial tivesse prevenido as complicações apresentadas pelo paciente. A terapia imunobiológica também deveria ter sido considerada mais cedo e a opção pelo Ustequinumabe se deu devido a possibilidade de monoterapia mais eficaz e segura.

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Journal of Coloproctology

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