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Vol. 39. Issue S1.
Pages 19 (November 2019)
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Relato de casos: adenocarcinoma mucinoso em fístula anal de longa evolução
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A.J.A. Cabral, C.M.A. Guenes, R.B. Bezerra, M.J.M. Silva
Hospital Barão de Lucena, Recife, PE, Brasil
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Área: Doenças malignas e pré‐malignas dos cólons, reto e ânus

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Adenocarcinoma Mucinoso Anal é uma complicação rara das fístulas anais de longa duração. Muitas vezes o diagnóstico é difícil pela localização e evolução da lesão perianal e o seu prognóstico muitas vezes é ruim. O objetivo deste artigo é relatar dois casos de adenocarcinoma mucinoso em fístula anal de longa evolução em dois pacientes.

Descrição do caso: Caso 1: Paciente, 68 anos, com passado de 4 fistulotomias, evoluiu com lesão endurecida e friável em canal anal, sendo diagnosticado em 2017 adenocarcinoma mucinoso ulcerado, infiltrando mucosa anal. O paciente realizou tomografias de tórax e abdome que não evidenciaram metástases à distância; ressonância magnética de pelve mostrou lesão expansiva e infiltrativa do canal anal com extensão para partes moles de dimensões de 7 x 6 x 5cm, com linfonodos inguinais de aspecto reacional. Foi realizada neoadjuvância convencional para adenocarcinoma de reto e o paciente submetido à Amputação Abdomino‐Perineal em fevereiro de 2018, tendo como estadiamento pT4N0. Após 1 ano de seguimento, evoluiu com recidiva inguinal do adenocarcinoma mucinoso, sendo realizada linfadenectomia inguinal e prossegue com quimioterapia até hoje. Caso 2: Paciente, 52 anos, com passado de fistulotomia em 1997, 2010 e 2016, foi diagnosticado com adenocarcinoma de fístula anal em 2017. Realizou tomografias de tórax e de abdome sem evidenciar metástases à distância. A ressonância de pelve demonstrou um tumor de 5,0cm, com invasão da muscular própria e linfonodos atípicos ipsilaterais. O paciente realizou neoadjuvância, sendo submetido à Amputação Abdomino‐Perineal em julho de 2017. A biópsia da peça cirúrgica revelou “pools” celulares de mucina, com reação inflamatória e presença de células atípicas isoladas na região perianal; ausência de invasão vascular ou neural e sem metástases nos linfonodos ressecados. Não houve adjuvância.

Discussão: O estudo sobre a origem do adenocarcinoma mucinoso secundário à fístula anal foi iniciado por Jones (1984), que associou à mal formação congênita, como uma duplicação da porção distal do intestino primitivo. Outros autores advogam o surgimento do tumor a partir de glândulas anais, porém ainda é controversa sua etiologia. Adenocarcinoma Mucinoso de canal anal em associação com a fístula anal de longa evolução é um acometimento raro, 3‐11% dos carcinomas anais e de difícil diagnóstico. Em geral, os pacientes apresentam um quadro de sangramento retal, pus, dor e estenose anal. 80% dos casos, a lesão possui mais de 5cm e pode dar metástase retrorretal e linfonodal. Muitos autores advogam a ressecção cirúrgica do tumor seguida de quimiorradioterapia, e muitos sugerem que a radioterapia possa modificar a consistência da mucina levando ao crescimento tumoral. Porém como é uma lesão rara, há poucos protocolos sobre o tratamento.

Conclusão: Adenocarcinoma Mucinoso de fístula anal é uma lesão rara e de pobre prognóstico. O tratamento é ainda é controverso, com indicação de cirurgia com ou sem radioquimioterapia.

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Journal of Coloproctology

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