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Vol. 38. Issue S1.
Pages 82 (October 2018)
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Vol. 38. Issue S1.
Pages 82 (October 2018)
P32
DOI: 10.1016/j.jcol.2018.08.176
Open Access
SÍNDROME DE OGILVIE SEGMENTAR ‐ DESAFIO DIAGNÓSTICO
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Luciana Martins Krohling, Taissa Borges Bourguignon, Abdo Magnago de Mattos Junior, Rafaela Martins Togneri, Mauricio Carvalho Guerra, Mitre Kalil
Hospital Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Vitória, ES, Brasil
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Introdução: A Síndrome de Ogilvie (SO) é uma patologia rara e acredita‐se que seja desencadeada pelo desequilíbrio do sistema nervoso autônomo, criando um quadro clínico sugestivo de obstrução intestinal, sem causas mecânicas. Ocorre com maior frequência em homens na sexta década de vida, hospitalizados, em pós‐operatório, vítimas de trauma e com doenças neurológicas.

Descrição: Paciente masculino, 72 anos, acamado devido acidente vascular encefálico, apresentava vômitos e diarréia com início há 03 dias e exame físico compatível com abdome agudo obstrutivo. Exames radiológicos sugeriam vólvulo de sigmóide. Não foi possível realizar colonoscopia devido indisponibilidade do equipamento. O paciente, portanto, foi submetido à cirurgia, na qual foi evidenciada distensão segmentar e edema do cólon sigmóide, sem sinais de isquemia ou obstrução. Foi realizada descompressão colônica com sonda via retal no intraoperatório e ocorreu melhora significativa do quadro.

Discussão: A SO também é conhecida como pseudo‐obstrução intestinal aguda e caracteriza‐se pela dilatação das alças de cólon, podendo se estender até o reto, sem causas mecânicas. Náuseas, vômitos, distensão abdominal e dilatação colônica são achados típicos, porém não específicos. Para diagnosticá‐la é necessário excluir causas mecânicas e de dilatação colônica. Alguns diagnósticos diferenciais são: vólvulo, lesão de obstrução distal, impactação fecal, megacólon tóxico nas doenças inflamatórias intestinais e doença de Hirschsprung. O tratamento inicial é suporte nutricional, reposição hidroeletrolítica, melhora da motilidade intestinal, uso de antibióticos e neostigmina. Também podem ser realizadas tentativas de descompressão com uso de sonda retal ou via colonoscopia. A cirurgia deve ser sugerida como última opção, somente se houver falha terapêutica. No caso relatado, a principal hipótese diagnóstica era vólvulo de sigmóide, porém durante o ato cirúrgico observou‐se distensão e edema localizados na região retroperitoneal do sigmóide até o reto e edema do mesocólon, sem evidência de obstrução ou isquemia da alça. Durante o intraoperatório foi realizada descompressão intestinal com passagem de sonda via retal e o paciente apresentou boa evolução clínica após o procedimento, com alta no 7° pós‐operatório.

Conclusão: O diagnóstico da SO continua sendo um desafio mesmo com o avanço dos exames de imagem, principalmente quando encontra‐se limitada a um segmento colônico.

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Journal of Coloproctology

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