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Vol. 39. Issue S1.
Pages 119-120 (November 2019)
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Vol. 39. Issue S1.
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Uso de dispositivo de derivação fecal, como alternativa à colostomia, em fasceíte necrotizante de fournier após ligadura elástica hemorroidária
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S.F. Malheiros, W.P. da Silva, A.L. Marinho, L.A. Benjamin, J.M. Pontes, A.H. Sudário Oliveira, M.I. Leite Granjeiro
Hospital Santa Isabel, João Pessoa, PB, Brasil
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Área: Doenças do assoalho pélvico/Fisiologia Intestinal e Anorretocólica

Categoria: Relatos de caso

Forma de Apresentação: Pôster

Objetivo(s): Relatar caso incomum de Fasceíte Necrotizante de Fournier (FNF), após ligadura elástica hemorroidária, tratado com dispositivo de desvio fecal para evitar colostomia e revisar, na literatura médica mundial, o uso deste dispositivo em FNF.

Descrição do caso: Paciente do sexo masculino, 78 anos, diabético, evoluiu no 4odia pós-ligadura elástica hemorroidária com fasceíte necrotizante perianal e isquiorretal. Realizado debridamento necrótico extenso e antibioticoterapia de largo espectro. Para desvio fecal, alternativamente à colostomia, optou-se pela instalação do Sistema Flexível de Derivação Fecal Endorretal com cuff (FlexiSeal*- Covidien) por 11 dias, além de Oxigenoterapia Hiperbárica. Evoluiu com adequado controle séptico e granulação da ferida, tendo alta no 17o pós operatório e alcançando cicatrização completa por segunda intenção após 105 dias, sem sequelas funcionais.

Discussão: literatura relata a incomum evolução de procedimentos hemorroidários para FNF. O risco potencial foi reportado, entre outros, por Becker de Moura et al. (Dis Colon Rectum 2007;50) em nosso meio e revisado por Albuquerque (World J Gastrointest Surg 2016;8). Por outro lado, um dos fatores que mais impactam o controle séptico e a cicatrização da ferida pós-debridamento é o adequado controle da contaminação fecal evacuatória. Assim, tradicionalmente na sepse perianal, desvio fecal por colostomia é indicado. Recentemente, há relatos de alternativas à colostomia, utilizando FlexiSeal*, que é um sistema de drenagem fechado com cateter de silicone contendo cuff, ancorado no anel anorretal e, que associado à dieta e medicamentos laxativos, provém desvio fecal. Originalmente para uso em pacientes acamados e diarreicos sob terapia intensiva para evitar escaras, este dispositivo tem encontrado nova utilidade no tratamento da sepse perianal. São poucas publicações, séries pequenas e, também, carentes de uniformes protocolos de condução. Eray et al. (Indian J Surg 2013) reviram a eficácia dos métodos de derivação fecal na sepse perianal por FNF concluindo que a colostomia deveria ser restrita aos casos de grande injúria esfincteriana ou lacerações retais. Ozkan et al. (Int Wound J 2014;12) e Goh et al. (Singapore Med J 2014;55), confirmaram eficácia e segurança do FlexiSeal* no tratamento da FNF, recomendando o uso até melhora clínica (média de 11 dias). Para Oguz et al. (Int Surg 2015;100), se necessária derivação fecal na FNF, FlexiSeal*deveria ser a primeira escolha. Recentemente, o trabalho americano de Rosen et al. (JSR 2016;206) demonstrou ausência de complicações e redução do tempo internado e do custo final, com este método. A evolução deste caso corrobora, mas adicionais estudos são necessários.

Conclusão: O caso ilustra o risco potencial de FNF após procedimentos hemorroidários e, apoiado na literatura, demostra os benefícios de eficácia, conforto e custo efetivo do novo método de derivação fecal, alternativo à confecção de colostomia.

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Journal of Coloproctology

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