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Vol. 38. Núm. S1.
Páginas 23 (Outubro 2018)
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Vol. 38. Núm. S1.
Páginas 23 (Outubro 2018)
P133
DOI: 10.1016/j.jcol.2018.08.050
Open Access
LINFOGRANULOMA VENÉREO ‐ UMA PATOLOGIA MIMETIZANTE CLÍNICA E ENDOSCOPICAMENTE: A PROPÓSITO DE UM CASO
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Miguel Mascarenhas Saraiva, Emanuel Dias, Candida Abreu, Hélder Cardoso, Fernando Magro, Guilherme Macedo
Centro Hospitalar São João, Porto, Portugal
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Introdução: O linfogranuloma venéreo (LGV) é uma doença sexualmente transmissível causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, serótipos L1, L2 ou L3. Classicamente, apresenta elevada prevalência na África, Ásia e América do Sul, sendo infrequente nos países ocidentais. Recentemente, tem‐se verificado um aumento do número de casos de LGV rectal no Ocidente, predominantemente em homens que fazem sexo com homens (HSH). O LGV rectal é o terceiro estadio da doença e apresenta sintomas que podem simular a doença inflamatória intestinal ou carcinoma anorectal: dor rectal, diarreia sanguinolenta e/ou mucosa e tenesmo.

Descrição do caso: Apresentamos o caso de um doente do sexo masculino, 62 anos, seguido em consulta de Gastrenterologia desde 2015 por colite, presumivelmente colite ulcerosa, medicado com 5‐ASA. Concomitantemente, apresentava infecção VIH conhecida desde 2011, tratado com antirretrovirais. Em Maio de 2018 foi avaliado no serviço de Urgência por dejeções sanguinolentas (> 10 por dia), tenesmo, falsas vontades e emagrecimento recente. De referir hemoglobina de 11g/dL (valor prévio de 13g/dL), elevação da proteína C reactiva de 72mg/dL e contagem de linfócitos T CD4+ 632, com carga vírica VIH não detetada. Realizada rectossigmoidoscopia flexível de urgência, evidenciando edema, friabilidade, perda do padrão vascular da mucosa e múltiplas áreas de ulceração, totalizando um mayo subscore de 3. Esta situação clínica foi interpretada como agudização de colite ulcerosa, tendo iniciado corticoterapia intravenosa. No estudo microbiológico das fezes foi detetada a presença de Blastocystis hominis, tratado com metronidazol. No que concerne à biopsia retal, foi detetada a presença de VCM (imunohistoquímica e PCR fortemente positivo) e efectuado terapêutica antivírica valganciclovir. Adicionalmente, na biópsia retal, foi identificado Chlamydia trachomatis por técnica de biologia molecular e histologia compatível com linfogranuloma. Genotipagem subsequente identificou serótipo L2. Neste contexto, foi medicado com doxiciclina durante 21 dias com melhoria significativa.

Conclusão: O LGV é um diagnóstico diferencial a considerar na doença inflamatória intestinal com manifestações de proctite. Um alto índice de suspeição diagnóstica para esta patologia é crucial, especialmente entre HSH, evitando diagnósticos incorretos e introdução de terapêuticas imunossupressoras que podem ser deletérias.

Idiomas
Journal of Coloproctology

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